22 de jan de 2017

O Lobo de Wall Street, Wall Street: Poder e Cobiça & O Dinheiro Nunca Dorme, O Primeiro Milhão e A Grande Aposta [ Não acredite no Governo nem em instituições financeiras, compre prata e ouro ] [ Cinema, Investimento ]



Este blogue nasceu com a proposta de falar sobre tudo, inclusive (especialmente) bobagens. Desde quadrinhos Disney até política. E por que não comida? Mas nunca falei sobre investimento por aqui, até porque não compreendo muito sobre o assunto para dar sugestões de onde meter sua grana. Meu conhecimento na área é o lugar comum e princípios básicos de responsabilidade financeira (que mesmo assim, às vezes, descumpro). Contudo, não sendo analfabeto e podendo analisar um pouco dos fatos à minha volta, percebo que dá para se manter razoavelmente bem navegando contra as sugestões de pretensos "expertos" no assunto, hoje bombando em páginas de Facebook, blogues e canais de Youtube. É bom sempre lembrar que economia não é economia. Economia é política, religião, movimentos sociais e o cheiro de alegria ou depressão nas ruas. E, há alguns anos, percebo que estamos próximos do colapso financeiro sem precedentes. Muitos elementos indicam isso. No filme Interestelar, o sogro do personagem vivido por Matthew McConaughey dá seu pitaco sobre o que levou o mundo à hecatombe: mais de seis bilhões de pessoas querendo ser felizes. Aqui, destaco um aspecto dentre milhares dentro dessa afirmação no filme que, efetivamente, levará economias à bancarrota: o excesso de grana fictícia que mantém nossa ilusão de felicidade num mercado financeiro e de consumo insustentável a longo prazo.

A maioria dos canais a que assisto no Youtube são de humor, livros, HQs, política e religião. Não sou investidor contumaz, mas às vezes também confiro canais de investimento. Mais para compreender como o pensamento poupador classe média funciona. E, como era de se esperar, funciona de maneira bem capenga. Por vezes, as "dicas" ali presentes são meio simplórias ou meio escrotas, mesmo quando postas do ponto de vista meramente hipotético. Foi assim, por exemplo, que deparei com um desses gurus dizendo que não sai mais com a família e amigos para comer pizza, pois os cem reais gastos são melhor empregados em títulos imobiliários e a cada aplicação de cem paus ele terá o retorno de R$ 1,00 pelo restante da vida. Já outro questionou que aquela cerveja no final da noite seria melhor investida em aposentadoria. São exemplos, claro. O que esse caras afirmam é: reduza seu prazer cotidiano para poupar. E erroneamente, citam os ricos como exemplos. Ora, rico (de verdade) não economiza com prazer para poupar trocados (nos filmes desde já destacados no título desta postagem temos essa realidade em evidência). Isso é coisa de aspirante a pequeno burguês sem noção de mortalidade. Devemos ser financeiramente responsáveis. Não gastar mais do que ganhamos é o primeiro e decisivo mandamento. Poupar um pouco é o segundo, mas deve ser seguido quando possível, sem esforço exagerado. Agora: limitar a pizza com amigos pensando em letras e títulos ou aquela cerveja geladinha de olho numa aposentadoria que você talvez nunca venha a gozar, é realmente estupidez.

Aparentemente, o poupador pequeno operário, mesmo acompanhando tantos canais e páginas sobre investimentos, riscos e retornos, esquece o principal e iminente risco da vida: a morte, que pode vir bem rápido. Acredito que consumimos exageradamente uma penca de coisas que não precisamos para nada. Mera impulsão. Esse viés negativo do regime de mercado poderia ser melhor debatido, se o ativismo de esquerda não infertilizasse o debate com seus discursos dissociados da realidade. Entretanto, as mesmas pessoas que acham interessante dispor de milhares de reais num iPhone são, muitas vezes, as mesmas que acham interessante economizar em prazeres banais - porém essenciais - como alimentação. Para bastante gente, conselhos como não se dar uma cerveja no final da noite para acumular capital e comprar coisas caras ou fazer mini tour de três dias em vários países para postar no Facebook fazem todo o sentido. Isso me recorda um antigo colega que ostentava carrões e viagens mas comia mal para economizar. Como dizemos no nordeste brasileiro: "Viva o luxo, morra o bucho". Atualmente, evito "coleguismo" com pessoas assim. É uma carga grande de negatividade por perto.

Dentre as dicas mais escrotas de investimento, as que se repetem em praticamente todos os canais de investimento são: não compre casa nem veículos. Quanto a estes, certamente, não são investimento. Carro custa caro e sua desvalorização é expressiva desde a saída da concessionária. Contudo, é uma comodidade da qual você, ralador, não deveria fugir. Mesmo vivendo numa cidade com transporte público eficiente e com trânsito razoável, por diversas vezes você precisará de transporte próprio para emergências ou apenas para tocar a vida em seu próprio ritmo, com conforto e agilidade, sem depender de ônibus ou de táxis. Aliás, transportes públicos não estão tão baratos assim e o Uber não é acessível em boa parte do país. Em relação a imóvel, tenha o seu. Grana investida em casa própria nunca é jogada fora e, além de tudo, traz paz de espírito (a commodity mais valiosa do planeta). Sem tranquilidade na vida cotidiana, nos pequenos lances do dia a dia, ninguém prospera.


Logo no início de Wall Street de Oliver Stone, um corretor veterano afirma ao personagem de Charlie Sheen que está tudo indo para o buraco, pois há muito dinheiro barato circulando no mundo, e que o maior erro dos americanos foi ter permitido a Nixon o fim do padrão ouro do dólar na década de '70. Nesse sistema monetário, cada nota emitida por um banco corresponderia a um depósito específico de metal precioso (ouro ou prata). Assim, a produção de moeda impressa de curso forçada era controlada, pois, sem lastro, não haveria como despejar papel no mercado. Isso trazia problemas, claro. O maior deles era que, em tempos de crise, as pessoas preferiam ter o metal ao papel colorido, obviamente. Ao invés de solucionarem esse problema, apenas acabaram com o padrão. Mas a ideia ainda seria boa, pois uma nação poderia imprimir moeda se suas reservas de energias fossem boas e houvesse incremento econômico. Ex.: se o Brasil descobre novas reservas de petróleo, pode despejar mais cédulas. Enfim: a "ideia" era "boazinha". Logo, tudo virou bagunça e praticamente toda a moeda circulante do mundo é podre, sem lastro em porcaria alguma a não ser a vontade dos governos em gastar, contrair dívidas, rolar estas mesmas dívidas e imprimir mais dinheiro para cobri-las. O volume de moeda circulante é facilmente percebido no grande número de bilionários atualmente existentes. O que era raro antes de década de '80, hoje, é fácil de ser encontrado. Milionários, então, nem se fala. Moro numa cidade pequena onde cada bairro tem seu pequeno milionário (ou mais de um). Resumidamente: a moeda passou a significar nada. Hoje lhe dão poder de compra; para amanhã, contudo, não haver garantia.

Dólar com padrão ouro era um certificado garantindo a existência e disponibilidade do metal.
No parágrafo acima ficou claro o seguinte: quem iniciou e mantém todo o nosso sistema financeiro fraudulento foi nosso sistema monetário, arquitetado e mantido por governos e seus bancos centrais. Até mesmo a quebra desse organismo doente foi pensada pelo Estado para proteger seus amigos. Não é à toa que instituições financeiras atuam irresponsavelmente no mercado: o Estado paternalista está lá à disposição para passar a mão na cabeça, injetar mais moeda fajuta e sustentar o corpo necrosado por mais tempo, com paliativos saídos de nossa força de trabalho. Esse amancebo entre Poder Público e empresários fajutos fica evidente, também, na palestra de Gordon Gekko (Michael Douglas) em O Dinheiro Nunca Dorme. O grande mal da ineficiência do regime de mercado é quanto este não é livre. Não adianta chorar pela regulamentação e fiscalização do Poder Público neste setor, pois ele sempre virá para socorrer apenas seus parceiros, nunca a população. Estados e seus governos não têm muita empatia com o povo, aprendam isso. Oliver Stone, responsável pelos dois filmes Wall Street, é um comunista caviar: mantém lauta vida em suas residências de luxo com quadros exaltando regimes ditatoriais (pesquisem mais sobre isso, é medonho) enquanto realiza documentários enaltecendo Fidel Castro e Hugo Chavez. Há décadas, o renomado cineasta assumiu o papel de inimigo número um da América, mas não arreda o pé dos luxos e confortos proporcionados pelo mercado livre que lá, razoavelmente, pode florescer. E o curioso é isso: Oliver Stone enaltece o papel do Estado cada vez maior e totalitário e mesmo assim revela em seus trabalhos que o culpado por todos os males do regime de mercado se resumem, principalmente, à interferência dos governos e amizades com pequenos financistas malandros. Isso só reforça minha antiga crença de que, essencialmente, todo revolucionário (o de verdade, não o modinha) quer apenas o tolhimento de todas as liberdades individuais, reduzindo o ser humano a nada, sujeitando-o à vontade de uma máquina burocrática psicopática. Isso é apenas filosofia, no final das contas: o ser humano é imperfeito e seu livre arbítrio foi um tremendo equívoco divino precisando urgentemente ser corrigido. O papo de "combater o capitalismo" é apenas balela e discurso que colou.

Além de tudo, Wall Street de 1987 é uma produção fantástica. Vale a pena ser usufruída até mesmo pelo mero deleite estético. As atuações de Martin e Charlie Sheen com Michael Douglas foram dignas de elogios, tanto que este último levou pela sua o Oscar de Melhor Ator (quando a premiação da Academia ainda significava algo). É engraçado notar que o subtítulo da sequência foi retirado de uma fala de Gordon Gekko do primeiro filme, ao acordar Bud Fox com "money never sleeps". Cena abaixo na íntegra.


Em A Grande Aposta, num determinado momento quando passam as vinhetas do modo de vida americano, fica estampada a frase "A verdade é igual à poesia, e a maioria das pessoas odeia poesia (The truth is like poetry, and most people fucking hate poetry)". É mais ou menos isso. E, mesmo quando escancarada, muitos ainda a evitam. Vejo isso no meu dia a dia. No trabalho, no bate papo, dentro da família. Não adianta sabermos que empresas estatais estão quebrada, que mais de década de coligação PT-PMDB aumentou gastos, dívidas, emissão de títulos (consequentemente) e, logo, a excessiva impressão de dinheiro. E, como o Brasil, praticamente todas as nações estão na mesma prática, para não citar o emblemático exemplo de oito anos de Barack Obama.

Nossa moeda fiduciária é impressa irresponsavelmente por Governos e Bancos Centrais para atender à fisiologia do momento, sem nenhum compromisso a longo prazo. Tornamo-nos incapazes de gerenciar nosso cotidiano, precisamos do Estado para controlar até o sal de cozinha utilizado em restaurantes e nos dizer que fumar é ruim, conquanto se tente a todos custo, na contramão, legalizar todas as formas de drogas hoje ilícitas, desde naturais às sintéticas. É o Estado gordão babá, paternalista, conduzido por uma elite burocrática rica e seus parceiros do grande capitalismo de compadrio. Nossa moeda é mero papel colorido de curso forçado, cujo valor atribuído amanhã talvez seja apenas 10% do de hoje. Ou pior: pode simplesmente deixar de valer qualquer coisa da noite para o dia. Impossível? No ano passado a Índia retirou de circulação todas as notas de 500 e 1000 rúpias sem aviso prévio, levando ao caos as vidas de quase 70% da população, não usuária do sistema bancário. Logo após, iniciou medidas de confisco de ouro. Mais de um bilhão de pessoas não foi capaz de enfrentar essa interferência cruel do Poder Público em suas pequenas reservas. Se você dissesse a ditadores sanguinários como Átila, o Huno que controlar a vida de tantas pessoas seria possível de maneira "democrática", ele não acreditaria. Qualquer Governo moderno é mais totalitário do que qualquer dinastia sanguinária do passado. E, no momento, esse totalitarismo é exercido com foco, sobretudo, em nossos relações afetivas, familiares e negociais. No âmbito do mercado, com o controle extremo sobre nossa renda e patrimônio. Ataques à moeda física, por exemplo, não vêm ocorrendo apenas em lodaçais como a Índia. Ethel Hülst, sueca de 91 anos de idade, experimentou a crueldade do banco central do seu país após ter acumulado 108.450 coroas suecas (aproximadamente R$ 48.000). Quando precisou trocar suas notas antigas pela série atualizada, a instituição bancária local lhe negou esse direito e ela ainda foi conduzida às autoridade locais para dar satisfações sobre o porquê de possuir dinheiro guardado em casa. Lyndon McLellan, proprietário de loja de um pequeno posto de gasolina na Carolina do Norte, EUA, teve US $ 107 mil em dinheiro, guardado em casa, roubado pela Receita Federal, mesmo que toda as suas obrigações tributárias estivessem quitadas. O fundamento? Basicamente que nenhum cidadão deve guardar valores em suas residências.


Em O Lobo de Wall Street, o corretor viciado interpretado por DiCaprio se reergue, como ele mesmo diz em determinado trecho, "vendendo lixo para lixeiros e ganhando um nota por isso". Ele se refere aos pacotes de "ação tostão" vendidas numa pequena corretora em Long Island para pequenos poupadores, como donas de casa, carteiros e lixeiros. Seu guru (Mark Hanna, por Matthew McConaughey) no início da carreira deixa claro sua função: deixar os investidores com riqueza de papel sempre reinvestida noutros nichos enquanto eles torram a grana real com os prazeres da vida. Esse aspecto mais escroto e absurdamente temerário do mercado de ações foi muito bem abordado, há anos, no ótimo O Primeiro Milhão, de Ben Younger.

Praticamente quase nenhum consultor financeiro indicará o investimento em metais. Na verdade, não os vejo indicado o investimento nem mesmo em ações de mineradoras (salvo pontuais exceções). Talvez façam isso porque não é interessante estimular a compra de ouro, já que isso é feito a longo prazo, fácil de realizar e retiraria os ganhos de consultores e gestores de recursos, que precisam de movimentação financeira constante. Os poucos consultores que ainda indicam metais o fazem na forma de contrato, na BM&F, destacando que comprar ouro físico é burrice e que ninguém mais faz isso, pois seria algo sem liquidez e para retornar ao mercado financeiro o metal precisaria de novos testes com refino e fundição. Mentira ou desinformação? Difícil dizer. O chamado ouro puro (24 klts) é recomprado pelas mesmas grandes empresas que o vendem. Para evitar novos testes, os lingotes vêm inseridos em cartões cuja violação é facilmente detectável ou em envelopes bem lacrados com certificado integrante, numeração e informação recomendando a não violação do lacre. Duas empresas são altamente recomendadas para isso: Ourominas e Reserva Metais. Você pode encontrar outras, como, p.ex., a Tática Ouro e Parmetal. Recomento sempre a Ourominas, pois tem o mesmo nível de confiabilidade (credenciadas pelo Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários) das demais e, no Brasil, é a única que consegue oferecer metal por valores competitivos. A recompra do ouro é garantida. Além disso, a elevada liquidez do ouro é vista quando caminhamos nos centros de médias e grandes cidades, onde diversos estabelecimentos compram o metal pelo grama. No Mercado Livre, ademais, vemos um significativo mercado de ouro e prata com cotação acima até mesmo da oficial. O setor joalheiro está sempre comprando de pequenos vendedores e diversas pessoas negociam lingotes como forma de investimento. Não são incomuns, ainda, negócios fechados envolvendo o pagamento em metais. Ainda quanto à facilidade de compra, destaco que na Ourominas, ao se já possuir cadastro com o envio dos documentos necessários (cópias eletrônicas por e-mail), é possível comprar ouro até mesmo por Whatsapp, de maneira segura e totalmente legal, pois o pagamento é feito por depósito identificado e junto com o produto acompanha nota fiscal de negociação em ouro.

A prata, contudo, não possui boa liquidez. Ao menos por enquanto. Não é difícil vendê-la. Contudo, o mercado é bem mais restrito do que o do ouro. Isso não quer dizer que o investimento neste metal é ruim. Pelo contrário. Acho-o o melhor a longo prazo. A proporção de prata para ouro não é tão grande para justificar tanta discrepância nos preços. Além de tudo, a prata está rareando mais que ouro, principalmente devido a seu emprego industrial em larga escala. Temos muita prata gasta desde automóveis até tecnologia fotovoltaica. Diante do baixo preço manipulado pelo mercado financeiro, praticamente não há muito controle no gasto descomunal da prata. Bons investidores podem utilizar essa manipulação descarada para comprar o metal baratíssimo e aguardar que, a médio e longo prazo, essa prática fraudulenta encontre seu fim. Destaco que, em determinados momentos, a negociação falsa de papéis de prata chegou a empurrar seu preço a patamares abaixo do custo de mineração. Quando essa bomba estourar e a prata não for mais tão facilmente encontrada, quem investiu terá ganho triplo: 1. salvaguarda de patrimônio; 2. ganhos reais na súbita valorização; 3. uma boa banana ao mercado financeiro e a seus consultores por vezes esnobes e mentiroso - toda profissão tem sua banda podre. Além do elevado custo de mineração, ressalto os assaltos cada vez mais frequentes levando bons períodos de produção a perder e elevando gastos com segurança e logística. Apenas nos últimos dois anos empresas como Ourominas (Itaituba - PA) e Yamana (Jacobina - BA) foram roubadas em milhões. É um material fácil de subtrair, transportar e esconder, especialmente se fundido em formatos práticos. Quem assistia telenovela deve se recordar quanto, em Da cor do pecado, uma dupla escondeu quilos de ouro lhe dando as formas da ornamentação e estrutura do próprio barco onde viviam.

Voltando ao consumo de prata, fui longo - acima - ao mencionar sua aplicação em tecnologia de ponta. Não preciso. Na cidade onde cresci, havia fundição trabalhando com prata em larga escala para diversos clientes. Conte quantos metros de espelho há na sua casa, agora, e saiba que a camada de metal empregada para reflexo é a prata. É o metal reflexivo sem substituto no planeta. Agora leve tudo isso para fotografias, radiologia, eletrodos (solda), talheres e jóias. Estamos esgotando as reservas desse metal precioso, melhor condutor elétrico que cobre e o próprio ouro. Durante as últimas três décadas gastamos mais prata do que a extraímos. Daí, os estoques estão batendo recordes de baixa.

Paládio e ródio da prestigiada Pamp, cujo certificado é integrante do lacre. Valerá a pena.
Não são apenas os dois metais acima que estão sendo manipulados há décadas. Incluo, ainda, platina, paládio e ródio. Os dois últimos ainda conhecerão seu verdadeiro preço sem interferência da negociata de papéis fraudulentos. Por enquanto, são de pouca liquidez para investimento e seus valores elevados (mas, equivocadamente, abaixo do ouro) não permitem apostas como podemos fazer na prata; exceto, obviamente, para quem tem muita grana, os quais certamente nunca leriam este blogue para saber o que penso sobre investimento em metais. Tenho percebido em páginas americanas que várias pessoas andam estocando cobre, pois acreditam em sua rápida escassez ainda a médio prazo, de forma repentina e sem aviso prévio. Para quem tem muito espaço sobrando, não é má ideia. Quem sabe aquela barra de dez quilos utilizada para aparar algum trambolho em casa, no futuro, não servirá para seu neto iniciar um negócio? Ou para seu tratamento de câncer de próstata? O preço está em R$ 15,00 o quilo. Não custa muito apostar. Atenção: ao consultar o preço do cobre no mercado de futuros, o valor estará em dólar por libra (453,6 gramas). Já ouro e prata são cotados em onça troy (31,1034768 gramas). Essas medidas estrangeiras são realmente um saco!

A Provident Metals vem apostando no cobre a longo prazo.
Em A Grande Aposta, Christian Bale interpreta Michael Burry, médico e investidor fundador da Scion Capital LCC. Aparentemente, foi o primeiro grande gerente de recursos a  descobrir e apostar fundo na bolha imobiliária enquanto todos ainda consideravam o setor sólido. Essencialmente, é o seguinte: antes da década de '70, quando ainda havia o padrão-ouro, o sistema bancário era simples. O grande incremento que ajudou a tornar o sistema mais complexo e sofisticado foi o mercado hipotecário. Com o tempo, para esse mercado continuar arrojado e crescendo, perderam totalmente o controle sobre os papéis. Assim, pouco antes da bolha explodir, qualquer pessoa física, mesmo sem comprovação de renda, poderia adquirir facilmente imóveis milionários. Ou melhor: mais de um. O importante era o mercado funcionando artificialmente. Para "comprar" uma mansão, bastava você estar vivo para assinar a papelada. Com metais, aparentemente, há uma grande bolha prestes a estourar. Mas uma bolha inversa. O preço real de metais preciosos é praticamente um mistério prestes a ser revelado ao público. Poucos sabem realmente o valor da onça atualmente. Afinal, George Soros, o globalista bilionário que apostou contra a libra e ganhou e, no Brasil, dá a bufunfa que sustenta caras como Pablo Capilé, não concentrou toda a sua fortuna em metais à toa. Mas Soros não investe mais em ações? Investe, claro, especialmente nas de mineradoras. É fato que no ano passado, quando a onça do metal teve aumento de 19%, Soros - instruído por seu bem pago think tank financeiro, abriu mão de quase 40% de suas posições no mercado de ações e alocou essa grana obscena em ouro. Da mesma maneira se comporta a família Rothschild, talvez o maior clã manipulador de ouro da história. Interessante que, na película citada, é tratado que o poder de manipulação é levado às extremas consequências. Assim, mesmo com o calote hipotecários americano nas alturas e impossível de ser encoberto, os títulos de seguro dessas transações continuaram em baixa até a insustentabilidade. O papel das agências de risco também foi bem explicado: servem apenas para vender "estudos" ao gosto do cliente.

Acima, falei bastante sobre a manipulação nos preços de metais preciosos. Isso se dá porque a onça-troy (31,1034768 gramas) tem seu preço definido em dólares no mercado de futuros. É algo indicativo ao mercado físico, praticado na compra em balcão. E as bolsas manipulam a seu favor porque não interessante dar atratividade a essas commodities e, assim, perder o suado dinheiro dos pequenos investidores tão delirantes em renda fixa, títulos públicos e ações "seguras". Assim, da mesma forma que existe muita moeda circulante impressa ao sabor do momento, há, igualmente, muito papel de ouro no mercado de futuros sem o ouro correspondente. Ou seja: toda a sua rua compra, cada morador, mil reais em ouro na bolsa; logo, deveria existir tanto ouro depositado em algum local quanto os papéis emitidos; entretanto, se todos os moradores de sua rua exigirem a apresentação do metal físico, quebrarão a cara, pois ele não existe. Há mais papel do que metal, logo o preço bem abaixo do que o real. Alguns especialistas chegam a afirmar que o preço do ouro corresponderia a, no mínimo, o dobro do que é praticado no momento em que você lê este texto. Isso serviria para a prata ainda em maior proporção, considerando sobretudo que boa parte da prata do planeta foi consumida. Além desse aumento de papéis sem o lastro respectivo, ainda temos a manipulação da oferta, onde muito contrato é jogado nos mercados em períodos de baixa procura, empurrado o ouro para baixo.

Para nós, habitantes do país onde a moeda é uma falcatrua, as vantagens de investir em metal são em dobro. Como a cotação dos metais é atrelada ao dólar, mesmo que a crise deste não estoure e ele se valorize em relação à nossa moeda, sairemos ganhando de alguma forma. Por enquanto, ainda há peculiaridade do ouro (especificamente este metal) ir na contramão da moeda americana. Na tabela abaixo podemos acompanhar catorze anos de evolução dos preços, com maior e menor cotações no exercício. Quem reservou parte de seu patrimônio em ouro teve um ganho expressivo na cotação da onça e, ainda, na valorização da moeda americana. Por mais que se tente manipular os preços, a força natural do mercado (a velha oferta e procura física por algo) oferece resistência. Aliás, essa procura de pessoas comuns por metais, atualmente, é bem maior. As refinadoras nacionais apontam que em torno de 40% de sua produção é destinada a investidores (individuais, fundos etc.). A tendência é a proporção aumentar. Não duvido que chegue a época em que governos "democráticos" comecem a coibir a negociação de metais preciosos como ativo financeiro para pessoas físicas, a exemplo do recentemente ocorrido na índia, onde até mesmo o confisco foi posto em prática.


Para comprar prata, seja em lingote, barra ou moeda, recomendo bastante dois locais: World Silver e Prata Pura. Este possui como produto regular, além das barras de prata fina bem acabadas e de "grife", prata industrial e granulada. A primeira loja, embora não tenha tais opções com regularidade, preza pelo preço competitivo, especialmente nas moedas mais buscadas: American Silver Eagle, Canadian Maple Leaf, Chinese Panda e Austrian Philharmonic. É sempre recomendado comprar em lojas bem reputadas não diante apenas de eventual calote na entrega, mas, sim, em razão das falsificações a rodo desses produtos. Ah, e quando falo em barras e lingotes de grife, é bom explicar melhor. Em regra, barras são obtidas mediante o despejo do metal quente em formas, para grandes quantidades. Já lingotes são mais finos e, em regra, extraídos a partir do corte de lâminas. "De grife" é aquele metal vendido por fundições respeitadas, como Valcambi SA, PAMP e Scottsdale (lá fora) ou os lingotes Ourominas (em nosso país). Também é fácil encontrar por aí as denominações barra fundida e barra estampada (acima e abaixo de 100g, respectivamente).

Observação importante para quem quer investir em ouro: praticamente em todas as distribuidoras o pagamento deve ser efetivado à vista, mediante depósito, no mesmo dia da compra. Não dá para comprar ativo financeiro cujo valor varia dia a dia no cartão de crédito e tampouco pagar apenas no dia seguinte, quando o valor poderá estar acima ou abaixo. Segunda observação: se você optou por comprar metais, esqueça gráficos e planilhas. Esqueça talvez até mesmo por anos a cotação no mercado de futuros. Além da manipulação de preços, essa reserva deve ser a longuíssimo prazo. Em caso de colapso, você terá onde se socorrer. Mas talvez por alguma bruxaria ou deus ex machina cheguemos ao apocalipse zumbi sem a bolha da moeda nunca estourar? Claro, isso é possível. Se tudo se resolver bem no final das contas, você não ficou no prejuízo. Pode vender o metal por uma cotação que dificilmente lhe dará prejuízo, transformar tudo em jóias e se vestir igual a bicheiro ou cafetão ou guardar de recordação e deixar de herança aos pimpolhos. Minha sugestão é que converta tudo em bufunfa e gaste com carro, uísque 12 anos e mulher(es); ou homens, se for de seu gosto.

Algumas pessoas se perguntam: então compro jóias, fico bonito e estou investindo? Não, você está perdendo dinheiro, a grosso modo. Não considero isso sequer reserva de patrimônio. No preço da joia está todo o custo de produção, distribuição e venda que não dará retorno na revenda. Ouro, para investimento, é apenas o metal, e isso em relação ao "999" ou "950". No Brasil, o mercado joalheiro utiliza mais o 18k, que nada mais é do que uma peça com ouro em sua liga na proporção 18/24. Os lingotes e barras mencionados por mim nesta postagem são os chamados puros ou finos. Dentro do preço de joia está o design, mão de obra direta do ourives e outras indiretas na confecção, custo de distribuição das jóias para que cheguem aos pontos de venda, mão de obra e tributação do lojista, além de aluguel ou manutenção regular do local, bem como lucro. E se a peça for de uma grife conceituada, aí sim você pagará até pela assinatura ali impressa. Por isso que pessoas em dificuldades financeiras quebram a cara quando vendem jóias ou as levam ao penhor da Caixa Econômica Federal. Os adquirentes estão interessados apenas nos pesos e qualidades do metal e da pedra. Se você gosta de jóias, as compre pelo prazer de usá-las. Não espere, contudo, poder lucrar com isso, mesmo a longo prazo.

Enfim, é isso. Não tenho mesmo como dar pitaco sobre modo de vida, equilíbrio entre prazer e responsabilidade e tampouco sobre geopolítica, economia e os planos tenebrosos das famílias Rothschild e Rockefeller para nosso futuro. Entretanto, tentar escrever sobre tudo é um eterno exercício lúdico. Abraços e até a próxima!

P.s.: aproveite a vida, durma bastante quando tiver sono, coma coisas boas, se dê um uísque 12 anos e um bom Partagás no final da noite. Namore e empregue seu valioso tempo junto aos seus. A vida é breve e grana é apenas um instrumento para facilitar a sobrevivência. Ratifico o afirmado acima: o principal paradigma para análises entre risco e benefício em tudo é apenas nossa curta existência.

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Donald Trump na natureza selvagem



Hoje revi Na natureza selvagem, filme baseado nos últimos anos da vida de Christopher McCandless, o cara que jogou tudo para o alto, viajou sem quase nada pelos Estados Unidos, chegou ao Alasca e, ali, sucumbiu à natureza e à solidão que tanto buscou. Muitas pessoas ainda atacam McCandless por sua ingenuidade. Não falo nem de enfrentar a vida selvagem no frio extremo, com quase nenhum recurso. É que qualquer mateiro ou caçador onde moro sabe que a vida fora da zona urbana é extremamente perigosa. Falo até por um pouco de experiência conhecendo extensas zonas rurais. Contudo, muitos idolatram a atitude do aventureiro e até mesmo tentam reproduzir seus passos, para tormento da guarda florestal atuante no resgate de meninos macios à beira da morte. No meu ponto de vista, vejo a empreitada de Christopher "Supertramp" como uma ode ao libertarianismo. Adulto, dono de seu nariz, escolheu seu destino sem lenço e sem documento. Claro, há algum egoísmo em não pensar na dor dos familiares. Nem tudo é perfeito, afinal. Nessa ânsia de liberdade, vemos como a burocracia é um entrave à sua vontade. Documento, registro de carro, exigência de emprego até chegar ao cúmulo de precisar de licença caríssima fornecida pelo poder público para poder remar num caiaque; e, claro, após comprovar um bom período de treino junto a instrutor portador de alvará. Para fazer tudo certinho, ele precisaria obedecer à burocracia de... doze anos! O Estado é o maior inimigo das liberdades individuais. Não é o seu patrão, que apenas exige o trabalho bem feito. Ou seus pais, que pensam em seu melhor. O Poder Público é essencialmente autoritário e cada vez mais paternalista. No Brasil, ele está retirando o sal de cozinha das mesas de restaurantes por você ser bobalhão demais para se cuidar. Repetindo: revi este filme hoje na Netflix (assinei por recomendação do Gravior!). E, curiosamente, na posse de Trump, jovens malucos destruíram ruas em protesto ao único candidato à Presidência que adotou discurso de menos Estado, de menos intervenção na vida privada, familiar e negocial dos cidadãos. Esses black blocs querem mais liberdade e querem, ao mesmo tempo, a extensão da política Obama, que em oito anos dobrou o Governo Federal, produziu normas jurídicas restritivas ao livre arbítrio e aumentou a dívida interna mais do que George W. Bush para manter a sede de burocrata bem de vida. Aparentemente, McCandless fez bem em sair desta existência com a cabeça erguida.

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19 de jan de 2017

Referências em A Liga Extraordinária: Dossiê Negro – Edição Absoluta



Li A Liga Extraordinária: Dossiê Negro – Edição Absoluta (editora Devir, capa dura com sobrecapa, miolo misto, 19 x 26 cm, 208 páginas, tradução de Marco Antonio Maia de Souza, vulgo Marquito Maia), da dupla prisioneira do tempo Alan Moore e Kevin O'Neill. Li há algum tempo e não iria resenhá-la. Dá trabalho e ando sem disponibilidade para isso. O pouco espaço livre do qual disponho vem sendo investido na companhia à minha filha. Mas uns breves comentários posso fazer. Muita gente andou falando bobagens sobre a possível ininteligibilidade da obra. Não é bem assim. Qualquer pessoa com um mínimo de arcabouço cultural e Google à disposição lê toda a obra sem problemas. Vejamos as principais referências.

No final da década de 50', a dupla de espiões e amantes Mina Murray e Allan Quatermain furtam o Dossiê sobre a história d'A Liga, guardado na sede do MI6 em Vauxhall. Há bastante tempo a Liga foi dissolvida e o remanescente (apenas os dois mencionados acompanhados por Orlando) encontra-se desaparecido. Todos acreditam que Allan Quatermain morreu - até mesmo diante da idade avançada -  e que o acompanhante de Mina seria filho do aventureiro. O rastro deixado por Mina também é questionável, já que deveria ser uma septuagenária. O que ninguém sabe é que ambos adquiriram imortalidade no lago da juventude de Ayesha (a façanha é descrita no Almanaque do Novo Viajante, prosa anexa ao segundo volume da Liga, onde enfrentam os marcianos). A partir daí, o MI6 envia uma equipe de novos recrutas ao encalço dos gatunos, ao mesmo tempo em que Alan Moore nos dá, aos poucos, acesso às páginas do dossiê.

Logo no início da trama, vemos a Inglaterra recém saída do regime socialista totalitário do Grande Irmão. O IngSoc de 1984 de George Orwell finalmente ruiu. Os cartazes recheados de novilíngua estão aos poucos sendo arrancados, assim como os dispositivos de vigilância. A identidade do Big Brother é revelada como Harry Wharton, personagem integrante do Greyfriars School, entidade ficcional de uma série de histórias escritas por Charles Hamilton. É bom destacar, sempre, que Moore não joga criações literárias ao acaso em suas histórias. Tudo obedece à cronologia oficial das personagens culturais reaproveitadas (livros, pulp, HQs, cinema etc.). Assim, também de início nos deparamos com James Bond (nunca mencionado explicitamente, pois haveria problemas com direitos autorais). E ele se juntará mais à frente com Hugh "Bulldog" Drummond (criado por H. C. McNeile) e sua sobrinha Emma Peel (a espiã britânica da famosa série de TV The Avengers). Num determinado trecho, Moore brinca com a relação entre o pai de Emma - o industrial Sir John Knight - e James Bond. Assim, embora o espião sedutor tenha retornado ao Reino Unido após uma alegada missão de sucesso contra um gênio do mal asiático na Jamaica, foi tudo armado pela inteligência americana. Na verdade, Bond é um traidor: ajudou a CIA a eliminar Knight e ficou fora de alcance por estar nessa missão totalmente inventada. Sem poder citar nomes (direito autorais!), Alan Moore faz Mina dizer a Hugo Buldogue que até o nome do vilão foi uma piada americana com a Coroa: "Não existe nenhum Doutor, não mesmo". A vírgula aí foi pilhéria. Poderíamos ler: "Não existe nenhum Doutor Não (Doctor No)". Assim, 007 Contra O Santânico Doutor No foi apenas uma obra de ficção americana, enquanto Bond estava se livrando de um proeminente cidadão britânico altamente nocivo aos interesses americanos. No Dossiê, James Bond é o vilão da vez, associado ao novo "M" do MI6: Harry Lime (v. O Terceiro Homem de Graham Greene). Só que, insatisfeito, Moore vai mais longe. Assim, Lime é o outro nome de Robert Cherry, personagem que habitou a mencionada Greyfriars. Aos poucos, descobrimos que as política e inteligência britânicas foram cunhadas nessa instituição. Entre eles também está Gerry O'Brien, segundo homem do Partido Socialista de 1984. Moore apenas lhe deu o primeiro nome retirado das crônica do Greyfriars School e fez de toda a elite burocrática inglesa antigos amigos de infância. A cereja do bolo é quando Mina e Quatermain encontram o próprio personagem icônico Billy Bunter, velho e gordo, ainda cuidando das ruínas da misteriosa escola e louco para que lhe deem um pão doce!

Na história, descobrimos bastante sobre a origem da Liga. Fica a indicação de que "M" (a mãe do IM6) tem sua origem em Sir John Wilton (um "W" invertido, apenas isso). A linhagem Bond também é resgatada desde Basildon Bond. O grande adversário da Inglaterra na segunda guerra seria o Führer Adenoid Hynkel (v. O Grande Ditador de Chaplin). Temos a origem de Orlando em 1260 a.C, como filho do adivinho cego Tirésias de Tebas. Ligas de extraordinários cavalheiros de outras nações também são reveladas, com ênfase no cinema expressionista alemão. É, sem dúvidas, muita informação para um único gibi. Não vou me estender mais. A HQ é boa e recomendo. Vale a pena se debruçar sobre ela, degustar e, diante de dúvidas, pesquisar um pouco.

No vídeo abaixo, há o unboxing da obra (dentre outros livros). Nele, você pode conferir melhor o material e os extras que recheiam um envelope anexo às páginas, com destaque para os óculos 3D dedicado às últimas páginas e a tijuana bible (catecismo) elaborada pela Pornsec, uma subseção do Ministério da Verdade criado por Orwell em seu 1984. Fico por aqui. Abraços e até a próxima!

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